Fala-se geralmente do direito de liberdade , pouco ou nada se fala do dever de construir a liberdade ou do dever para com a liberdade. A responsabilidade em relação à liberdade não deve dar-se apenas enquanto conseqüência do ato livre, mas, deve-se ter presente a responsabilidade para com a liberdade.
Para melhor compreender a liberdade como processo na história, ao menos como tentativa, procurarei correntes desse pensamento.
* Liberalismo: para os liberais, a liberdade é entendida enquanto identificação com a espontaneidade, é uma liberdade subjetiva, isto é, uma ação livre dos impulsos. A consciência simplesmente acompanha a seqüência de atos livres.
* Existencialismo: aqui a liberdade é entendida como imaginação. Ela parte de um esquizofrenia ou induzida, um desligamento do real. O homem esta determinado pelo meio, esta condenado a ser livre. Diante das situações históricas vividas, o homem precisa escolher e, ainda que não escolha, na sua omissão, estará escolhendo. É responsabilizada pela sua escolha, ainda que não de foram moral.
* Marxismo: nesta corrente, a liberdade é entendida como libertação, como algo relativista. A libertação, segundo Mendonça, se a tomarmos com um fim em si mesma ela não garante a liberdade. O marxismo por mais que tente combater a alienação nas mais diversas estruturas. Assim, torna-se um conceito alienante de liberdade. Condena a religião porque acredita num céu vindouro, mas constitui-se numa busca e de um futuro celestial, que para chegar a tal entende que é preciso temporariamente negar as liberdades individuais.
* Liberdade humana: liberdade humana consiste na possibilidade de ser ou não ser livre, pode-se usar a liberdade para perdê-la.
Viver humanamente é viver em liberdade. Viver como um ser livre é possibilitar campo aberto à realização da liberdade coletiva.
Os bens da cultura são expressões do exercício da liberdade. * Liberdade na produção: devido as necessidades que tem o homem, antes de ser sapiens é faber, ele precisa produzir. No entanto, a produção deve favorecer a subsistência e o desenvolvimento humano. O trabalho artezanal é indispensável, pois sustenta um sentido de participação humana.
* Liberdade na arte: a ciência é fruto de pesquisadores, de pensadores e, acima de tudo é obra de toda a humanidade, pois esse fruto do cultivo da inteligência beneficia toda essa humanidade por suas descobertas. "Ela responde a um anseio de libertação, à revelação dos segredos da natureza e da existência em geral". Também a filosofia deve estar ocupada com a determinação "de uma ordem hierárquica de valores, e com o cultivo de uma capacidade intelectual em distinguir e tratar com adequação os valores humanos".
* Liberdade na educação: a escola livre é antes de tudo um lugar de culto, de preparação para assumir a liberdade. A liberdade é construída pelo próprio sujeito. Constrói-se esta liberdade à medida que se vai tornando senhor de si mesmo. "O cumprimento do dever de construir a liberdade é o único fundamento eficaz e legítimo que possibilita no mundo a implantação efetiva do direito de liberdade". O direito à liberdade decorre da responsabilidade assumida com a possibilidade de ser livre, manifestada no cumprimento do dever de construir a liberdade. Do dever emerge o direito de ser livre.
Ora, nisso percebemos que o ato de liberdade indica um sujeito que se compromete, indica transcendência ou permanência nos atos particulares. "O ato de liberdade se define numa relação em que o homem se obstaculizado, ou incapaz de superar uma dificuldade, ou impelido a agir em dissonância com sua vontade ou inclinado por ela, conquistando um benefício para o seu ser ou tendo que sofrer as conseqüências não previstas na ação praticada".
Fazer da liberdade um aceno de soberania é tomar uma decisão caprichosa. Um simples ato de espontaneidade nada mais é do que fatalismo. O fatalismo é uma das formas de determinismo, de absolutismo do ser humano e que neste caso é entendido como fuga do compromisso de construir a liberdade. O homem é um ser comprometido com capacidade de comprometer-se. A liberdade consiste em deixar-se determinar ou auto-determinar-se. Por isso, o problema da liberdade não pode ser trabalhado em campos separados, ela exige uma relação com o todo em vista de uma solução global
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