As estruturas sociais e políticas tem idéias que as movem princípios que estão em suas bases. Nas estruturas sócio políticas da sociedade moderna, os princípios de liberdade, igualdade, fraternidade, iluminam e perpassam as reflexões, isto é, as lutas. Dai a " consciência de dirigir os seus próprios destinos" por parte do povo.
Dois acontecimentos históricos marcaram estes pensamentos: a Independência dos EUA e a Revolução Francesa. Assim, Eduardo Prado de Mendonça, traça a discussão a partir da aplicação daqueles três princípios referidos acima, tão presente em discursos e ausentes na prática.
Ora, a liberdade e a igualdade são na prática valores que não comungam entre si e por si; por isso, faz-se necessário o terceiro elemento, valor que está acima e que possa unir os dois primeiros e possibilitar, por assim dizer, a concretização, de forma que, a fraternidade torna-se o problema principal da soberania. Esta forma "opressora" quando exercida apenas por um indivíduo em nome do povo, ou pelo próprio povo, enquanto governa a si próprio, pode impôr limites à liberdade. Justamente por isso, "a democracia aparece dominada por um ideal superior que transcende as limitações, quer individuais ou de classes".
A democracia requer a competência, a responsabilidade de todos. "Ela toma então por matéria o homem ideal, respeitoso dos outros como de si mesmo". Assim, para de fato funcionar, a democracia, nela deve estar a fraternidade saliente, posta acima de tudo para comungar a liberdade e a igualdade. Mesmo assim, dentre os discursos, dentre as lutas por liberdade e igualdade não se vê a luta pelo amor, enquanto que "só o amor será capaz de restabelecer os direitos humanos e a ordem social e política".
Há, porém, a necessidade de desenvolver valores éticos comuns de convivência que estejam nas bases das relações sociais, para que estas sejam justas e virtuosas. Esta base social, proporcionará estímulos aos planos de relacionamento coletivo. Aí, o político, terá base sólida e eficaz. Com o elemento da fraternidade o homem não peder sua identidade no conjunto, nem tão pouco, torna-se isolado dele, mas desenvolve de co-participação e de responsabilidade recíproca. A responsabilidade torna-se liberdade construída no social e também por meio do social. Na sociedade e na convivência, a liberdade, a iniciativa e a responsabilidade encontram meios se desenvolverem e também florescerem. Assim, liberdade, iniciativa e responsabilidade só se plenifica e se realizam na dimensão das relações com o outro, e por isso, a liberdade vem antes da libertação. A libertação não tem sentido por si sem ter a liberdade de cada um envolvida, como motor e como cerne que a sustente. Não se deve confundir o campo político com o social, pois a libertação política decorre dos aspectos sociais e éticos, tendo como base de suas relações a fraternidade como elo de realização da liberdade e da igualdade.
Assim, a liberdade constrói-se no campo da sociedade e na vida comunitária, edificando-se em co-liberdades que enriquecem um ao outro e que ajudam-se mutuamente no desenvolvimento de valores que sustentam e realizam o social. É por esses meios que aparece a atividade do político como membro ativo no grupo, na comunidade etc.
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